quarta-feira, 16 de maio de 2007

O tempo está a acabar... um último apelo

Como todos devem saber está a decorrer a votação e vimos fazer a nossa última “campanha eleitoral”.Eu sei que muitos preferem o selo do Hugo Pinto e entendo a preferência e respeito-a. Sei que muitos consideram importante que o tema do mundo dos animais e da natureza vença mas tenho que ser honesta e sincera. Eu não acredito que será um selo nem mesmo o meu selo que irá mudar as mentes e os corações das pessoas. Os “seres humanos” não conseguem nem parar guerras, nem parar de infligir sofrimento aos seus semelhantes. Nem mesmo conseguem entender que um animal sofre como nós. Para muitos o animal é um bicho, uma coisa.Eu e a minha irmã conhecemos muita gente que gosta de gatos e embora saibam o que é bom e mau para eles insistem em fazer aquilo que é mau. Alguns gatos chegaram até nós num estado em que o único acto misericordioso a fazer foi a eutanásia. Constatamos que algumas pessoas embora reconheçam a nobreza de ajudar os animais desculpam a sua passividade dizendo que não se pode salvar todos, e de facto não se pode salvar todos porque a maior parte das pessoas nem um salva. Alguns dos gatos que ajudamos estavam ao cuidado de pessoas que gostavam deles, que coziam frango e fígado para eles e depois deixavam-nos morrer sozinhos, nem tão pouco lhes prestavam auxílio médico. Certas crueldades dirigidas aos animais nada têm a ver com ignorância ou falta de informação. A raiz do problema é profunda e quase inatingível. É o próprio coração que está errado, é o próprio egocentrismo, a própria arrogância que gera tudo isto. Existe uma pessoa que disse que os gatos que eu ajudava não o mereciam porque haviam acabado de matar uma rola. As pessoas pregam a filosofia do perdão e no entanto punem um gato por ter feito algo que está na sua natureza e portanto muito para além do seu controlo. É tão difícil destruir um coração frio. É tão difícil fazê-lo ver o que nós vemos cada vez que olhamos um cão, um gato ou outro animal. É tão difícil fazer com que sintam o que sentimos cada vez que vemos um cão destroçado, abandonado num estado miserável. Quando olhamos para ele sentimos o coração a partir em mil pedaços e com o tempo mesmo quando aparentemente já não existe nada para se quebrar sentimos os pedacinhos a quebrarem quando nos deparamos com outro animal em sofrimento. O seu sofrimento parece não ter fim nem mesmo o nosso amor por eles. Como chegar a esse coração é uma pergunta para a qual ainda não encontrei resposta.Aprendi que nós não detemos o poder de ensinar os adultos a amar, a cuidar, a respeitar. A maior parte das vezes temos de aprender a viver nesta sujidade e fazer tudo o que está ao nosso alcance para bem destes animais.No lugar onde vivemos nós tentamos fazer com que as pessoas percebam a importância das esterilizações, e mesmo assim as pessoas preferem afogar os gatos ou mesmo enterrá-los vivos porque capturar um gato com uma armadilha dá um trabalhão imenso, requer paciência e elas querem rapidez e quanto à esterilização poupa-se dinheiro. Para elas um animal não vale um cêntimo. Elas não reconhecem estes actos diabólicos (afogá-los, deita-los à fossa, etc) como um crime, pelo contrário para elas isto é um acto de misericórdia pois irá impedi-los de passar fome. A única solução que encontrei foi criar As Patinhas da Padina juntamente com a minha irmã e esterilizar as gatas grávidas antes que elas tivessem os filhos, e parar de gastar o meu latim. Pois um coração fechado nunca escuta a mais pura verdade e se não escuta nunca irá entender. Muitas vezes não existe razão, justificação para um acto malévolo. Tudo se resume a uma escolha e não ao resultado de falta de informação, ou de uma educação pobre. Para mim é falta de sensibilidade. Ajudar os animais é viver muito perto de um sofrimento do qual não nos conseguimos esconder porque existe algo tão divino neles que não nos deixa recuar, mas é aqui que começamos a conhecer o nosso vizinho muito melhor e a deixar de tolerá-lo. E antes de decidirmos continuar a percorrer este caminho temos de estar cientes que não as mudanças de mentalidade demoram muito acontecer, e que os animais não podem esperar e nós também temos de saber os nossos limites, de que existem coisas que não dependem de nós. Não podemos encher o nosso coração com ódio, raiva, rancor, pois isso serve apenas para nos destruir. O importante é tentar fazer tudo ao nosso alcance. Não podemos inventar donos 5 estrelas, mas temos de ir encontro aqueles que os amam, pois se esperamos mudanças de mentalidade pobres dos animais. Por outro lado, não nos podemos entusiasmar com a ideia de que o selo vencedor irá circular em 2008, levando uma mensagem aos quatro cantos do mundo, uma vez que o regulamento é bem claro. Este não garante que o selo circulará no próximo ano, diz apenas que o selo vencedor é “susceptível de ser emitido no ano de 2008”, “poderá ser usada pelos CTT”. Em segundo lugar e ainda de acordo com o regulamento “os CTT poderão modificar total ou parcialmente os trabalhos criados”. A única certeza é de que o prémio de 1.500 euros será entregue ao vencedor.Podemos não acreditar que um selo irá mudar ou sensibilizar as pessoas mas acreditamos que com o valor do prémio podemos fazer muito mais pelos animais sobretudo agora que tivemos conhecimento que alguns gatos estão a desaparecer e que uma ninhada já foi afogada. E é por isso que queríamos muito ganhar o prémio. Este ajudar-nos-ia a derrubar algumas dificuldades financeiras, esterilizar mais gatas, ainda que grávidas é sempre melhor do que morrerem afogados. E poderíamos alcançar alguma paz. Pois dói-nos muito saber que alguém que chegou antes de nós e de que uma gata anda por aí sem saber o que aconteceu aos filhos e ainda com tanto leitinho para lhe dar, um leite que “depois a pode magoar”. Dói saber que acusam os gatos de haver ratos por causa deles, e não os deixam viver num terreno selvagem onde há espaço para todos. Este prémio pode-nos ajudar a salvar vidas de uma maneira muito legítima. Nós não estamos aqui para nos enganar a nós próprias pois aquilo que os animais enfrentam todos os dias é demasiado real e muitas as vezes só nos resta sofrer com eles e buscar conforto no facto de que para um animal só existe um inferno e este é o próprio mundo que o despreza, mas depois da morte não existem barreiras para eles. Eles não são igual a nós. Eles são melhores do que nós. Eles estão acima de nós. Mesmo que partilhemos uma alma, a alma do animal é mais pura, está próxima do ser que criou a sua vida. É mais verdadeira, mais inocente, mais tudo. Não é nada igual à nossa. A nossa ainda tem de ser modelada, aperfeiçoada. E não é por masoquismo que todos nós continuamos a ajudá-los, pois nós entramos para este mundo de sofrimento para o extinguir não para o prolongar, não para infligir dor mas para lhes arrancar a dor, não para os ferir mas para lhe curar as feridas. Aqui encontra-se o único sofrimento que gera amor. E é por amor que continuaremos sempre a salvá-los e a sofrer com eles, porque não podemos simplesmente deixá-los a sofrer sozinhos. E nós os amamos porque amor é o único sentimento que podemos sentir por eles, os outros sentimentos pertencem aos indiferentes, aos passivos, aos ignorantes, aos vazios, aos frios, a todos os que não vêem a luz que emana dos animais. E se existe algum céu o caminho para esse céu é a luz dos olhos de cada animal. Por isso nunca desistimos deles nem ignoramos o seu sofrimento. Em relação ao selo também não desistimos e apesar de estarmos com muitos votos de atraso continuamos POR ELES. Por nós não, não precisaríamos de tanto.Não é com palavras nem com desenhos que criamos um mundo melhor para os animais mas sim com actos de amor, força, coragem, determinação, perseverança e esperança. Ajudem-nos a ganhar este concurso pelos animais. É aos poucos que vamos pintando o mundo deles com outras cores, mudando aqui acolá, ao tocar nas coisas, neles. Eu acredito que mudei um pouco a zona em que vivo, não as pessoas mas a vida dos animais e acredito que eles na sua inocência estão gratos por isso e continuam a confiar em mim mesmo depois de os ter apanhado na armadilha. Eles vêem o amor. Eles lembram-se do bem que lhes fizeram e também do mal mas não se vingam. Por isso até 31 de Maio não se esqueçam de nós. Votem e divulguem para que possamos converter o dinheiro num presente seguro e amável para os nossos “peludinhos” que tudo o que nos dão é de graça. Aproveitamos também a ocasião para a agradecer as pessoas que votaram nas As Patinhas Da Padina. Se ainda não votou fica aqui o endereço para votar:http://aquihaselo.com/Vote.aspx?idUser=2060
Muito obrigada a todos (as)

1 comentário:

Helena disse...

Olá manas, desculpem estar a chatear, mas eu e a Sara estamos a desesperar pois não conseguimos encontrar dono para o Rafa, nem temporário!... :( será que poderiam colocar um apelo para o Rafa no vosso blog? Talvez assim pessoas atraídas eplo artesanato reparem nele... nós já não sabemos que fazer... beijinhos e obrigada...